quarta-feira, 11 de março de 2009

Sócrates e o método

O método dialético de Sócrates

* O método de Sócrates que consiste em duas partes: A Ironia e a Maiêutica.
- Ironia: apontava as falhas, erros e limites do conhecimento que as pessoas já tinham sobre determinado assunto. A ironia tenta desconstruir o mundo onde a pessoa está sustentada, tenta fazer com que o interlocutor se livre de todas as suas opiniões e crenças;
- Maiêutica (arte de parir idéias): tentava trazer a verdade através de uma investigação mais profunda pelo próprio interlocutor. A maiêutica fazia com que o interlocutor aprendesse por si mesmo, fazendo com que ele se interrogasse sobre o assunto e tentasse encontrar um conhecimento racional sobre o mesmo.
* As influências de Sócrates para trazer este método foram:
- A Filosofia de Parmênides, principalmente a questão da transcendência. É com a filosofia de Parmênides que Sócrates (ou Platão falando por Sócrates) cria, de certa forma, o “mundo das idéias”. Para ele, existiria um mundo eminente (mundo no qual nós nos inserimos) e um mundo transcendente (mundo onde estariam todos os conceitos ou idéias).
- A mãe de Sócrates, que era parteira. Ele mesmo se dizia um parteiro, mas ao invés de ajudar a parir corpos, ele ajudava a parir idéias. Ajudava as pessoas a se lembrarem das idéias plenas, o que é chamado de reminiscência.
- A frase que Sócrates encontrou no Templo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo. Afinal, para ele, é conhecendo a nós mesmo que poderemos trazer à tona as idéias que estão no fundo de nossas almas imortais.
* A Ironia de Sócrates se firmava na frase que ele costumava repetir em praça pública: “Só sei que nada sei.” Mas esta frase não demonstra a ironia de Sócrates só no sentido de que ela é irônica, pois demonstrava uma modéstia de Sócrates; ela demonstra o próprio método da ironia, onde Sócrates tenta desconstruir o mundo onde se apóia, ou seja, os conhecimentos baseados na crença e na opinião.
* A Maiêutica pode ser entendida na frase, já mencionada, que ele encontrou no Templo de Apolo: “Conhece-te a ti mesmo”. Depois que nós perdemos nosso chão, com a ironia, estamos prontos para nos voltarmos para um conhecimento mais profundo e verdadeiro que é o conhecimento que nós encontramos em nós mesmos, e que não procuramos mais em opiniões que geralmente são formadas por junções de outras opiniões, geralmente alheias.
* A filosofia, portanto, se torna, com Sócrates, essa arte de limpeza da alma. Isto é, através de um distanciamento do mundo, no sentido de que nos afastamos de todas as nossas crenças e opiniões (que é a nossa base de compreensão do próprio mundo), é que conseguimos nos aproximar cada vez mais dele. É de fora do mundo que conseguimos observa-lo com maior propriedade e começar a entendê-lo.
* A nesse sentido também que a filosofia estuda os porquês, ou melhor, estuda as questões. É através das questões que nos libertamos das amarras do nosso dia-a-dia, de nossos preconceitos; e é se aprofundando nessas mesmas questões que conseguimos encontrar respostas que serão diferentes daquelas dadas por nós no cotidiano. Por exemplo: quando nos questionamos pelo que é o EU, devemos ter em mente que é necessário que eu me afaste de mim mesmo para poder me compreender. Este afastamento se dá num nível intelectual, onde eu deixo de lado todas as opiniões sobre o que eu tenho acerca da palavra EU e daquilo que aparentamos ser, principalmente para os outros, e me aprofundo no sentido daquilo que me constitui da forma que estou constituído.
* Parece ridículo quando a filosofia tenta explicar uma coisa que todos parecem saber o que é, como por exemplo: o EU. Eu sei o que sou. Não é isso o que se fala? No entanto, será mesmo que sabemos o que é o EU? Talvez o mundo viva o que está vivendo porque perdemos de vista essas questões, já supomos o que são as coisas antes mesmo de nos questionarmos sobre elas. Nós perdemos de vista o princípio da filosofia: a questão. Tão própria e comum a todos nós, tão corriqueiro para as crianças, mas que se perde e se perdeu com o tempo.

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